
Em 2009, enquanto o mundo se encantava com telas bonitas e apps fechados, o Nokia N900 chegava como uma bomba nerd: Linux completo no bolso, root liberado, multitarefa real e terminal de comando na mão. Não era só um smartphone, era um computador portátil disfarçado de celular, e quem segurava essa máquina sentia liberdade total, quase como se estivesse controlando o próprio destino digital.
Em 2010 eu comecei a trabalhar pro governo do Estado do Pará. Sim, funcionário público, “seres” que eu não tenho um pingo de respeito. Porém com o cargo farmei grana suficiente pra comprar O n900. Poderia ser a bosta do iPhone recém lançado? Poderia! Mas eu não era otário como hoje: comprei o n900. Que aparelho telefônico móvel esperto maravilhoso. E LINUX como OS. Eu sentia que meu PC tava sempre no meu bolso. Hoje eu sinto que no meu bolso tem sempre um whatsapp de grife que a bateria não dura nada. iBosta.

Se eu tivesse a mente e o corpo naquele momento, sentiria o choque de ter o PC completo no bolso. O N900 não era apenas tecnologia; era um portal pra experimentar o futuro antes de todo mundo. Cada comando no terminal, cada pacote instalado, cada script rodando, era uma sensação de poder absoluto, algo que nenhum iPhone ou Android da época poderia oferecer. A bateria durava, o sistema respondia, e cada hack ou ajuste era como ter total controle do próprio mundo digital, algo que hoje a galera só sonha com apps fechados e notificações que drenam tudo.
Naquela época eu sentia que tinha o mundo nas mãos, ou pelo menos o controle remoto das TVs e dos aparelhos condicionadores de ar usando o infra red do n900 com o catálogo INTEIRO de tudo quanto é porcaria compartilhado nos fóruns do MAEMO (distro linux do dito cujo). Se eu soubesse que ele ficaria defasado e ESQUECIDO tão drásticamente eu teria dormido mais de conchinha com ele. Teria beijado mais, abraçado mais. Sinto tanta saudade.

Naqueles dias, ter um N900 era segurar a rebeldia tecnológica no bolso. Cada arranhão na tela, cada queda, só reforçava que a máquina era viva, potente e imprevisível, diferente da segurança chata e controlada dos futuros iPhones. Sentir o peso do aparelho, abrir o terminal, mandar comandos, ajustar tudo, era uma alegria nerd pura, que nenhum vidro fino e polido poderia substituir. O N900 não só entregava tecnologia, ele entregava experiência, liberdade e identidade — algo que, hoje, parece ter desaparecido nos smartphones modernos.
O n900 surgiu numa época que nem a nomemclatura “smartphone” existia, mas ele já chegou esperto. Inovando, mesmo com a tela resistiva humilhada pela capacitiva do iphone vindouro. Mas o iphone, por mais “revolucionário” com suas agregações de tecnologias antigas “roubadas”, o Nokia, aquele que cai no chão fazendo terraplanagem, deu um dos seus últimos suspiros da época em que identidade e novidade eram importantes. Hoje me contento em ter algumas polegadas de vidro no bolso que, apesar de muito potente, não consegue me dar um décido da emoção que o meu n900 me proporcionava. Ele caía no chão, e a calçada quebrava. Hoje meu iphone cai e meu salário se acaba.
* Pra quem não sacou, os parágrafos estão em dupla e o primeiro é o GPT e o segundo é o GeFresquê aqui. Beijos.